Não é segredo algum que a cafeicultura brasileira passa por um momento único de sua história. Somos o maior país produtor de café que tem discutido nos últimos meses a necessidade / liberação da importação dos grãos da variedade conilon. Por outro lado, a expansão do segmento de cafés de qualidade tem mudado a realidade para muitos produtores e levado a uma ampliação da área plantada de café arábica em alguns municípios, visíveis para qualquer pessoa disposta a percorrer estradas em algumas regiões produtoras. 

DINÂMICA DA PRODUÇÃO DO CAFÉ NO BRASIL

Não é segredo algum que a cafeicultura brasileira passa por um momento único de sua história. Somos o maior país produtor de café que tem discutido nos últimos meses a necessidade / liberação da importação dos grãos da variedade conilon. Por outro lado, a expansão do segmento de cafés de qualidade tem mudado a realidade para muitos produtores e levado a uma ampliação da área plantada de café arábica em alguns municípios, visíveis para qualquer pessoa disposta a percorrer estradas em algumas regiões produtoras.

Trata-se de um cenário delicado que exige que se olhe com um pouco mais de detalhe o como tem ocorrido a expansão da área produtiva no Brasil. Então vamos aos números da CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento. Na safra 2006/07, ano de safra alta, o Brasil produziu 42,5 milhões de sacas de 60kg em 2,15 milhões de hectares produtivos. A contribuição do estado de Minas Gerais foi de 52%, seguido por Espirito Santo com 21% e São Paulo com 11%. Esses percentuais foram alcançados com uma produtividade média de, respectivamente, 21,7 scs/ha; 19,04 scs/ha; e 21,1scs/ha. Nessa mesma safra, Minas Gerais apresentava como área em formação com café – um indicativo dos investimentos em lavouras e da perspectiva de aumento ou redução da produção - 117 mil hectares em café, Espírito Santo 21,7 mil e São Paulo 14,7 mil.

Durante os dez anos que se seguiram, muita água passou por debaixo da ponte. A tecnologia no dentro da porteira avançou e a demanda pelo café continuou crescente, mas o perfil do consumo passou por transformações significativas. O mundo mergulhou em uma crise financeira que estimulou o aumento do volume de café conilon nos blends buscando a redução de custo. Mas ao mesmo tempo, o segmento de cafés especiais ganhou força e seu ritmo de crescimento anual atingiu os dois dígitos. E como a distribuição geográfica da produção brasileira se comportou diante disso?

Vamos aos números da safra 2016/2017. Na última colheita, o Brasil abasteceu o mundo com 51,4 milhões de sacas de 60kg, 60% oriundos de Minas Gerais, 17% do Espírito Santo e 12% do Estado de São Paulo. A produtividade média saltou para uns e cresceu timidamente para outros. Minas Gerais passa para 30,4 scs/ha, Espírito Santo vai para 21,8 e São Paulo 29,9. E a área em formação com café em Minas Gerais salta para 188,7 mil hectares, Espírito Santo praticamente dobra para 42 mil hectares e São Paulo reduz para 13,8 mil hectares.

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Para 2017, a área indicada como em formação é de 241 mil ha para Minas Gerais, 47 mil para o Espírito Santo e 13,7 mil para São Paulo.

À parte das dificuldades com as intempéries climáticas, os números ajudam a explicar a situação atual da falta de café conilon no mercado interno. Nos últimos dez anos, o Espírito Santo reduziu sua participação na produção de forma significativa e apresentou expressiva redução na área em produção.

Em termos de café arábica, fica evidente o quanto o estado de Minas Gerais avançou nos últimos dez anos, investindo em máquinas e infraestrutura, com claras intenções de crescimento no curto prazo, através de plantios de novas áreas (área em formação). O estado de São Paulo acompanhou a tecnologia e manteve-se competitivo em produtividade, mas seu aumento na participação no mercado produtivo ficou aquém devido a um percentual maior na redução da área produtiva. E a tendência é que essa diferença se intensifique, pois a área em formação tem apresentado queda.

Vale ressaltar também que a ligeira redução na área plantada em Minas Gerais, de 0,2%, não reflete a dinâmica dentro do próprio estado. Durante o período avaliado de dez anos, as regiões da Zona da Mata, Rio Doce e Central reduziram em 23% a área plantada; enquanto Sul e Centro-Oeste aumentaram em 3,4%; e Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste aumentaram em 18,1%.

O que precisamos tirar de lição são as conseqüências da falta de um planejamento que contemple a visão do mercado integrada com estratégias para o setor produtivo, seja para não incorrer na falta de um produto ou no excesso da oferta de outro. O impacto se reflete diretamente no preço, o que pode prejudicar a cadeia acima com preços que ficam impraticáveis para a indústria; ou o inverso, com preços que irão tirar da atividade os cafeicultores menos eficientes e deixar em situação complicada para os demais.